Infância e juventude
Ernst Carl Glufke, chamado de CARL, nasceu a 13 de março de 1875, em Brockau,
arredores de Breslau, na Silésia, Alemanha. Era filho de Gottfried Glufke,
nascido em Qualwitz, Kreis Ohlau, e de Rosina Tinzmann Glufke, nascida em
Beckern, Kreis Ohlau, na Alemanha. Também estas localidades situam-se nas
proximidades de Breslau.
Elise
Henriette Marie Böttger Glufke, chamada ELISE, nasceu em 28 de janeiro de 1881,
em Quedlinburg, na Saxônia, Alemanha. Era filha de Elise Böttger.
Pouco
se sabe sobre a infância e a juventude de Carl e Elise.
Aos
2 anos de idade, Carl perdeu a mãe; o pai faleceu quando Karl tinha 8 anos.
Carl
foi criado por um tio. Quando menino, pensava que a vida na casa do tio era
difícil e que este o maltratava, opinião que mudou ao chegar a idade adulta.
Aos 14 anos, fugiu de casa e foi para Hamburgo. Lá queria embarcar em algum
navio com destino à América. Como não tinha dinheiro para a passagem, pretendia
trabalhar no navio durante a travessia.
Enquanto
aguardava, irrompeu em Hamburgo uma epidemia de cólera. A cidade ficou em
quarentena, não se permitindo a ninguém entrar ou sair dela. A epidemia foi
muito intensa e havia poucos recursos para enfrentá-la. Em conseqüência, muitas
pessoas morreram às vezes em plena rua. Para sobreviver, Carl juntou-se aos que
recolhiam mortos nas casas e nas ruas. Quando nesse trabalho, teve a sorte de ser
visto por um carpinteiro que, por achar a atividade inadequada para um
rapazinho, o acolheu em sua casa. Carl ficou morando com a família desse
senhor, tornou-se aprendiz de carpinteiro e desistiu da América.
Nessa
época, na Alemanha, aprender um ofício incluía uma etapa de aprendizagem
intensiva (chamada Lehrzeit), sob orientação de um mestre de ofício, e geralmente
no local de trabalho deste. O jovem era chamado Lehrling (aprendiz) e ao final
da etapa deveria se submeter a certas provas. Se aprovado, o aprendiz passava a
uma etapa de “aperfeiçoamento” e era chamado de Geselle (oficial). A parte
final desta etapa incluía a Wanderzeit, período em que o jovem tinha de ir para
outras localidades, conseguir trabalhos temporários nas mesmas, e, assim,
provar sua competência. O jovem só podia se submeter às provas finais de sua
aprendizagem, para se tornar mestre de ofício, depois de cumprir essa
exigência.
Foi
quando cumpria sua Wanderzeit que Carl chegou a Dittfurt e conheceu Elise. Ao
que se sabe, não completou a tarefa, não chegou a mestre e, tempos depois,
tornou-se vendedor de máquinas de costura Singer.
Elise
foi registrada só com o sobrenome da mãe (Böttger); não se tem informações
quanto ao nome do pai. Seus pais eram noivos quando ele sofreu um acidente:
caiu do “Heuwagen” e morreu. Deixou Elise (mãe) grávida. Ela, posteriormente,
casou com Andréas Blath, com o qual teve dezoito filhos, entre eles quatro
pares de gêmeos. A maioria desses filhos morreu nos primeiros meses de vida,
inclusive todos os gêmeos. Chegaram à idade adulta: Marie, Minna, Frieda e
Luise.
Elise
passou parte da infância e da adolescência em casa dos avós maternos. Ela
contava que o avô e o padrasto, que considerava como pai (há referências a ela
como Elise Blath) , eram muito severos. Por essa razão e devido às condições
módicas de vida da família, a juventude de Elise não foi muito alegre. O fato
mais importante da semana era o culto evangélico aos domingos. Já idosa Elise
era capaz de lembrar textos bíblicos comumente citados em datas específicas do
calendário religioso.
Em
relação à avó materna de Elise – chamada Henriette Maurer Hoebbel – um fato
merece ser lembrado, por ser incomum e totalmente estranho para nós, cidadãos
do final do século 20: ela foi vivandeira (Mulher que vende mantimentos, ou os
leva, acompanhando tropas em marcha) na guerra de 1870, da Alemanha contra a
França.
A família de Carl e
Elise na Alemanha
Carl
e Elise casaram em Ditfurt-Quedlinburg, no dia 10 de novembro de 1898.
Foram
morar em Tangermünde, onde nasceram os filhos Erna (1899), Waldemar (1900) e
Frida (1902).
Na
Alemanha daquele tempo já era difícil alugar moradia para uma família numerosa,
sem casa própria. Era o caso dos Glufke – o casal e seus filhos, cujo número
aumentava rapidamente. Além disso, havia dificuldades financeiras, pois Carl
não tinha profissão definida; sustentava a família como vendedor de máquinas
Singer.
Como
intuito de contribuir para o sustento da família, Elise cursou o Königliche
Hebammen Schule (Escola Real de Formação de Parteiras), em Magdeburg, na
Saxônia. Formou-se em 1901, passando a exercer a profissão de parteira. Esse
fato evidência a determinação de Elise e sua coragem para resolver problemas,
baseada em uma decisão bastante “avançada” para os padrões da época.
Em
abril de 1903, a
família se transferiu para Quedlinburg, por pouco tempo, pois em agosto do
mesmo ano foi morar em Hoym; nesta localidade nasceu o filho Alfred (1904). Em abril
de 1905, os Glufke voltaram a morar em Quedlinburg, onde nasceu a filha Herta
(1907). Pouco depois, fizeram nova mudança, desta vez para Süderode.
Essas
localidades – Quedlinburg, Hoym, Süderode – são muito próximas umas das outras.
Um pouco mais afastada é Magdeburg, mas ainda próxima. Por isso, as freqüentes
mudanças de residência não envolviam mudança significativa de vida.
No
entanto, uma grande mudança estava por acontecer, pois foi em Süderode que os
problemas enfrentados pela família e a perspectiva de um futuro melhor para os
filhos levaram o casal Carl-Elise à decisão de emigrar. Destino: Brasil, mais
precisamente Ijuí, no Estado do Rio Grande do Sul.
Vista
à distância do tempo e do lugar em que foi tomada, essa decisão sugere duas
perguntas? Por que emigrar? Por que o Brasil?
Evidentemente,
há outros motivos para emigrar, como razões políticas ou religiosas,
especialmente se consideradas as perseguições que, quase sempre, acompanham
períodos de fanatismo de um ou de outro tipo. No caso dos Glufke, foram razões
econômicas as que determinaram a decisão. Eles eram pobres – o que não deve ser
confundido com miséria – e não tinham condições de adquirir casa própria quando
até alugar era difícil para famílias numerosas. Os ofícios que Carl e Elise
exerciam também não lhes proporcionavam perspectivas melhores para o futuro.
E
por que o Brasil?
Quando
a idéia de dar um novo rumo aos destinos da família surgiu, Carl e Elise
pensaram, inicialmente, em ir para Camarões, na África, na época um protetorado
alemão. Estavam ainda na fase de amadurecimento da idéia quando souberam que se
procuravam pessoas interessadas em migrar para o Brasil. Ofereciam-se viagem
gratuita para a família e 25
hectares de terra para o plantio, em zona de
colonização; a terra deveria ser paga posteriormente. Na Alemanha de então – e
para muitos alemães da atualidade – 25 hectares significavam uma extensão enorme de
terra, algo como ser proprietário de um condado. Naturalmente, ninguém tinha
uma noção muito clara do que significava “terra em zona de colonização”. É
válido perguntar também: Que imagem trazia às mentes do casal Glufke a palavra
“wald” (mato, floresta, bosque)? Os bosques de sua terra natal certamente pouco
tinham em comum com o mato que iriam encontrar no Brasil.
Com
idéias pouco exatas, mas com muita coragem e esperança, os Glufke empreenderam
a viagem.
Da Alemanha para o
Brasil
A
grande viagem começou no dia 15 de setembro de 1909, conforme registrou Carl na
Bíblia familiar.
Os
Glufke partiram de Ditfurt, onde morava a família de Elise, para Rotterdam, na
Holanda. A passagem pela Holanda e o embarque em Rotterdam se justificavam por
vigorar na Alemanha, então, uma lei que dificultava a emigração.
Caixas
e caixotes foram despachados até o trem e dele para o navio. A bagagem pessoal
não era grande e foi transportada da casa da família de Elise até a estação
ferroviária em carrinho puxado por um cão são-bernardo. Além disso, cada uma
das crianças maiores carregava uma mochila às costas; consta que na Alfred
estavam travesseiro e o penico de Herta.
Em
Rotterdam, os Glufke embarcaram no navio “Amstelland” – antigo e sem conforto –
para a grande travessia. A viagem transcorreu normalmente. No entanto, como a
família viajou na terceira classe, não é difícil imaginar a qualidade da
alimentação, bem como o desconforto causado por más condições de ventilação e
por instalações sanitárias muito deficientes. Além disso, é provável que o
navio balançasse muito, pois os navios da época eram pequenos e não tinham
estabilizadores.
Certamente
enfrentando problemas e depois de semanas de viagem, a família Glufke chegou ao
Rio de Janeiro, no dia 11 de outubro de 1909.
De
acordo com o registro do “Escriptorio de Immigração” da “Directoria Geral do
Serviço de Povoamento”, que funcionava na cidade do Rio de Janeiro, a saúde dos
passageiros do “paquete hollandez” foi boa durante a travesseia, não tendo
havido mortalidade e tendo ocorrido um nascimento. Na lista dos “578
immigrantes” que viajaram no “Amstelland”, a família Glufke está registrada sob
os números 186 a
192. No registro constam os nomes de todos, a indicação de que Carl é o chefe
da família e o parentesco dos demais em relação a ele (esposa, filhos),idade, sexo,
estado civil, nacionalidade, profissão (Carl consta como agricultor), religião
(protestante) e instrução (se sabem ler e escrever). Quanto às idades, é
interessante destacar: Carl – 34 anos; Elise – 28 anos; Erna – 10 anos;
Waldemar – 9 anos; Frieda – 7 anos; Alfred – 5 anos; Hertaw – 2 anos. Em
relação ao casal e aos filhos Erna, Waldemar e Frieda foi registrado que sabem
ler e escrever.
Como
era de praxe, os Glufke tiveramde cumprir as formalidades na Ilha das Flores, o
que incluía a verificação de condições de saúde.
No
“Registro de entrada de immigrantes” da “hospedaria de Immigrantes da Ilha das
Flores”, a família Glufke consta nos números 282 a 288. A data de entrada é 11
de outubro de 1909 e a saída é 17 de outubro de 1909. O registro incluí nomes,
estado civil, nacionalidade e profissão. Está registrado também o nome do navio
em que vieram – “Amstelland” – bem como o destino da família: Porto Alegre. Não
há registro do navio que os levou até o Rio Grande do Sul.
Os
Glufke embarcaram um vapor costeiro, considerado de grande luxo se comparado ao
“Amstelland”, para viajarem até o Rio Grande do Sul.
Um
fato relativo à viagem do Rio de Janeiro a Rio Grande era sempre lembrado pela
Elise: Herta, então com apenas 2 anos de idade, resolveu apelidar o cozinheiro
do navio, que era negro, de Bolo-Bolo. O cozinheiro deu interpretação diferente
às expressões da menina e, por isso, lhe trazia fatias de bolo ou bolachas,
dando força ao apelido.
De
Rio Grande, a família viajou de trem até Cruz Alta, fazendo várias baldeações,
e de carro de bois até Ijuí, que era apenas um povoado. Ali, foi necessário
abrir caixas e caixotes para acomodar a bagagem no lombo de mulas, pois havia
apenas uma picada ligando a sede do município à linha 23 Leste, destino final
da grande viagem, que terminou no dia 28 de outubro de 1909, segundo registro
de Carl e Elise em Bíblia da família.
Ijuí
No
caso do Brasil, ao contrário do que conta a histéoria oficial, a maioria dos
imigrantes não recebeu auxílio algum, ou muito pouco, do “País que os acolhia”;
as famílias eram largadas, literalmente, “no mato sem cahorro”.
Com
os Glufke também foi assim. Quando chegaram à “terra prometida” só encontraram
mato – um local quase desabitado, sem recursos. A primeiroa rovidência foi
construir um abrigo. Enquanto ele era construído, Elise e as crianças
permaneceram na “vila”. Os conhecimentos de carpintaria, apesar de sua limitada
experiência, foram de grande valia para Carl neste momento. Baseado neles e com
material de que dispunha – galhos de árvores, folhas de palmeira, barro –
construi a “moradia”, na realidade apenas um rancho, que cosntava de duas
partes: uma, os “quartos” para acomodar a família; outra, a cozinha, com fogo
de chão.
Carl
teve o cuidado de construir o rancho em local um pouco elevado, mesmo que mais
afastado do riacho que por ali passava. Um vizinho, achando muito prático e até
romântico morar às margens do arroio, foi surpreendido, em uma noite de muita
chuva, pela água entrando no rancho.
Assim
que possível, a família veio para junto de Carl. Foi então que tomaram posse de
seus “domínios” e enfrentaram a rude vida no mato.
Quando
o tempo estava bom, era fogo de chão, aceso no pátio e coberto com chapa de
ferro, que Elise e, na ausência da mãe, Erna cozinhavam. Para assar os
primeiros pães que fez no Brasil, Elise acendia fogo no chão e depois colocava
a forma com a massa no local aquecido, sob a chapa de ferro, cobrindo tudo com
folhas.
As
crianças precisavam de leite; pó isso, Karl trocou sua única fatiota por uma
vaca. Como suas mãos estavam inchadas em decorrência do trabalho na roça, ao
qual não estava acostumado, Carl tinha guardado sua aliança no bolso do casaco.
Na hora de entregar a fatiota, não se lembrou disso – e a aliança se foi!
Nessa
pequena propriedade, Carl tentou plantar alguma coisa, sem muito sucesso.
Faltava-lhe, como muitos outros, o conhecimento da terra, das plantas e de como
plantá-las. Ninguém dava aos recém-chegados, uma orientação segura; cada um
agia como acreditava ser certo, e acontecia um eterno “começar da estaca zero”.
Além
disso, a terra tinha que ser paga. O pagamento, muitas vezes, era feito com
trabalho nas estradas – pouco mais do que picadas, quase sempre - , as quais
eram abertas com picaretas, foices e enxadas. Na maioria dos casos, as ligações
entre as colônias e a sede e entre as diferentes colônias eram feitas pelos
colonos.
Voltando
a Carl e Elise, é fácil imaginar o estado de ânimo de ambos ao enfrentarem
tantas dificuldades: o isolamento, a terra inculta, a gente estranha, a falta
do essencial em quase tudo. O que os mantinha e movia era a esperança, para si
e para os filhos, de dias melhores do que a vida na Alemanha lhes propiciaria.
Foi
em Ijuí, na cabana que abrigava a família, que nasceu o sexto filho e o
primeiro dos filhos brasileiros, batizado Hermannn (1910), mais tarde Hermann
adotou legalmente o nome Germano, passageiro clandestino da grande viagem, como
ele mesmo costuma dizer.
A
família permaneceu pouco tempo em Ijuí.
Quando
Germano tinha oito semanas, Elise foi até a Linha 8 Oeste, também em Ijuí, para
fazer um parto. A viagem foi a cavalo, levando o bebê, que ainda mamava. Houve
engano nos cálculos, e o parto só ocorreu seis semanas depois, mas Elise tinha
de esperar que ele acontecesse. Carl e os outros filhos ficaram na colônia.
Erna, uma criança de onze anos, tinha de fazer todas as lides domésticas.
Feito
o parto, Elise e Germano voltaram. Carl foi ao encontro deles, até uma “venda”.
Lá encontraram dois senhores ligados a Empresa Colonizadora de Neu-Württenberg.
Germano foi devidamente admirado por eles. Consta que, brincando, Carl lhes
perguntou: “Não estão querendo um bebê forte como este?” Ao que um dos senhores
teria respondido: “Não é exatamente de um bebê que precisamos, mas de uma
parteira.” Elise, entrando na conversa, disse: “Pois já encontraram!” E ali
mesmo foi acertado um contrato: Elise seria parteira nessa nova e florescente
colônia!
A
terra foi devolvida e mais uma mudança aconteceu na vida da família!
Neu-Württenberg
(Panambi)
Em
poema dedicado ao filho Germano quando ele completou 40 anos, Elise assim
escreveu:
“Nach Neu-Württenberg wollten wir geh’n
Wir hatten gehört dort sei es schön!
Es gabe drt Schule und allerlei gutes
Darum gingen wir frohen Mute.”
A
existência de escola e de outras “coisas boas” – igreja, clube, coral, por
exemplo – fazia de Neu-Württenberg de 1910 uma localidade de nível cultural e
social bem melhor que a Linha 23 Leste de Ijuí.
Em
Neu-Württenberg, a família morou, nos primeiros tempos, em uma pequena chácara
dentro dos limites da vila. Carl trabalhava como carpinteiro, principalmente na
construção de escolas nas novas picadas da região. Elise, além das múltiplas
tarefas de mãe e dona de casa, assumiu suas funções de parteira contratada.
Algum
tempo depois Carl adquiriu uma área de terra de 25 hectares para
agricultura, a três quilômetros da sede, na qual já havia uma casa.
Inicialmente toda a família se envolveu no plantio. Mais tarde, uma olaria foi
construída na propriedade.
Na
“Kolonie”, como era chamada essa propriedade, nasceram mais três filhos: Hedwig
(1914) – a Hedi, Erika (1917) e Willy (1921).
Em
Neu-Württenberg aconteceram alguns fatos importantes da vida familiar.
No
dia 10 de novembro de 1923 foram comemorados as Bodas de Prata do casal. Nesta
mesma época, o casal Glufke decidiu vender a propriedade. Havia vários razões:
os filhos Waldemar e Alfred já se dedicavam aos ofícios que haviam aprendido.
Erna estava casada e Frida estava noiva. E o principal motivo era que Carl e
Elise desejavam outro tipo de vida para si e para os filhos.
Quando
Carl e Elise visitaram sua terra natal, de 7/maio a 24/outubro de 1924, a Alemanha vivia o
período pós-inflação de 1923 e o dinheiro brasileiro tinha valor nos países
europeus. Por isso, o casal pôde viajar pela Alemanha, visitar parentes e até
comprar utensílios e objetos para a casa e pequenos presentes para os filhos.
Quando voltaram, uma grande mudança ocorreu na vida de toda a família Glufke.
Mudança para Porto Feliz
(Mondai)
A
Empresa Chapecó-Pepery Limitada, colonizadora da região convidou Waldemar, o
filho mais velho de Carl e Elise, para estabelecer uma casa comercial em Porto Feliz , atual
Mondaí, em Santa Catarina. O
estabelecimento destinava-se a prover mantimentos e utensílios necessários aos
pioneiros da localidade.
Waldemar
incluiu seu pai como sócio da casa comercial. Assim quando Karl e Elise
voltaram da Alemanha, Karl foi imediatamente a Porto Feliz, para assumir suas
atividades no novo negócio e providenciar casa para a família.
Em
fevereiro de 1925, Carl, Elise e os filhos Hedi, Erika e Willy foram morar em porto Feliz. Como
muitos pioneiros, antes e depois deles, viajaram no mesmo caminhão que levava a
mudança.
Os
outros filhos de Carl e Elise também foram morar em Porto Feliz , em momentos
diferentes.
Os Glufke em Porto Feliz (Mondai)
Em
1926 nasceu o último filho do casal: Hellmut. Os Glufke, como todos os
pioneiros de Porto Feliz, enfrentavam os problemas da melhor forma possível,
sem se deixaram abater por eles. Cada um no seu posto: na casa comercial, no
transporte, nos trabalhos domésticos e Elise como parteira.
No
Natal de 1927, Carl Glufke adoeceu em Porto Feliz.
Apresentou melhoras e em janeiro de 1928 viajou a Neu-Wüttenberg
para consultar médico. Este constatou que Carl sofrera um leve derrame
cerebral, sem seqüelas e recomendou descanso. Ele ficou na casa da filha Frieda
em Neu-Wüttenberg, mas em fevereiro teve outro derrame e veio a falecer no dia
7 de fevereiro de 1928. Seu corpo foi levado a Porto Feliz, para lá ser
enterrado.
Com
a morte de Karl terminou uma etapa decisiva na vida da família Glufke,
incluindo a fase da vinda para o Brasil, a fase de adaptação a um novo ambiente
em terras no Rio Grande do Sul e a fase de pioneirismo e estabelecimento em Porto Feliz.
Opa
Glufke morreu antes de concretizar totalmente o sonho que o trouxe ao Brasil:
ver todos os filhos encaminhados para uma vida melhor do que possivelmente
teriam na Alemanha. A afirmativa é feita considerando a época em que os fatos
narrados aconteceram, mas viu realizada uma parte desse sonho: tinha casa
própria, sociedade em uma casa comercial, filhos se afirmando
profissionalmente. Além disso, a família crescera: dos dez filhos, cinco
estavam casados e já lhe haviam dado nove netos.
Em
1932 a
“grande família” começou a se dispersar, no sentido de morar em lugares diferentes,
para atender interesses e necessidades individuais ou de cada nova família que
se formava.
Assim
em fevereiro de 1936, Elise se mudou para Lajeado, junto com Willy e
Hellmut. Em 1951, na residência de Erna,
Em
10 de dezembro de 1962, Elise faleceu em Lajeado e conforme seu desejo, lá foi
sepultada.
Como
em todas famílias, momentos de alegria e de tristeza têm se sucedido na vida
dos descendentes de Carl e Elise Glufke. Os dois sonharam uma vida melhor para
os filhos, os netos e para as gerações futuras. Se a realidade nem sempre
correspondeu totalmente ao sonho dos que atravessaram o oceano em busca de uma
vida melhor, é verdade que esta “vida melhor” foi amplamente alcançada, à custa
de trabalho constante e grandes sacrifícios, mas também com muitas alegrias e
muitas realizações.
É
verdade, também, que seus descendentes souberam honrar os ensinamentos do casal
Carl e Elise, no sentido de integridade de caráter e trabalho honesto na
conquista de uma vida digna, pacífica e saudável, baseada no esforço pessoal e
preparo profissional. Cada um a seu modo lutou para conquistar um lugar na comunidade
em que vive e vive de modo a preservar o lugar conquistado. Este é, talvez, o
legado maior que eles deixaram para seus descendentes.
Por
tudo isso e pela coragem de enfrentar o desconhecido “outro lado do mundo” no
empenho de propiciar um futuro mais promissor à sua família, Carl e Elise
Glufke merecem admiração, respeito e reconhecimento e, principalmente, merecem
ser afetuosamente lembrados por filhos, netos e bisnetos e pelos filhos, netos
e bisnetos destes.
(Histórico
familiar retirado do livro “OS GLUFKE NO BRASIL – pequena crônica familiar” de
Izabella Kertész, publicado em 1998. Houve alteração na grafia de Carl, tendo em vista acesso a certidão de casamento e documentos de entrada dos familiares no Brasil, onde consta o nome do opa como Ernst Carl Glufke).
Nenhum comentário:
Postar um comentário